Nova ferramenta em fase beta transforma a pesquisa tradicional por hotéis, ingressos, preços e promoções em uma experiência conversacional. A Disney entra em uma tendência que já envolve Booking.com, Expedia e Google e que pode mudar profundamente a forma como os viajantes pesquisam e organizam suas férias.
Planejar uma viagem para o Walt Disney World sempre exigiu uma combinação de pesquisa, comparação e conhecimento sobre como funciona o complexo. São hotéis de diferentes categorias, tipos de ingresso, promoções, sistemas de transporte, parques, eventos sazonais e produtos adicionais que podem influenciar diretamente o custo e a experiência da viagem.
Agora, a Disney começa a testar uma nova forma de organizar essa etapa.
O Walt Disney World prepara o Guided Search – BETA, uma experiência com inteligência artificial integrada ao DisneyWorld.com que permitirá ao visitante explicar, em linguagem natural, o que procura para a viagem. Em vez de depender apenas de menus e filtros, o usuário poderá informar quem está viajando, quando pretende ir, quais são as prioridades da família e o tipo de experiência desejada.
A partir dessas informações, o sistema poderá apresentar hotéis Disney, ingressos, disponibilidade, preços, promoções e outras opções compatíveis com o perfil informado.
O teste inicial será limitado a determinados usuários dos Estados Unidos e Canadá. Ainda não há uma data oficial para expansão ampla da ferramenta nem confirmação sobre quando o recurso poderá chegar ao mercado brasileiro.
Mais do que uma novidade isolada da Disney, porém, o Guided Search faz parte de uma transformação já em curso no turismo. Grandes empresas como Booking.com, Expedia e Google vêm incorporando inteligência artificial ao planejamento de viagens e aproximando cada vez mais a tecnologia da decisão de compra.
Como funcionará o Guided Search da Disney
A proposta do Guided Search é transformar a pesquisa dentro do site do Walt Disney World em uma experiência mais próxima de uma conversa.
Em uma busca tradicional, o visitante normalmente começa selecionando datas, quantidade de hóspedes e categoria de hospedagem. Depois, precisa navegar por páginas diferentes para entender localização, transporte, benefícios, preços e disponibilidade.
Com o novo modelo, o usuário poderá apresentar várias necessidades simultaneamente.
Na demonstração da ferramenta, por exemplo, aparece uma família que informa estar visitando o Walt Disney World pela primeira vez, comemorando o aniversário de 7 anos do filho e procurando experiências relacionadas a The Lion King. Ao mesmo tempo, a família quer facilidade de acesso aos parques, piscina e informações sobre possíveis promoções.
Esse tipo de pedido já mostra a diferença entre uma ferramenta de busca tradicional e uma experiência baseada em inteligência artificial.
O sistema não recebe apenas uma data e um número de hóspedes. Ele tenta interpretar contexto, preferências e prioridades.
A busca deixa de ser apenas por preço e passa a considerar o perfil da viagem
Imagine uma família brasileira planejando uma viagem para Disney.
Em vez de pesquisar separadamente “hotel Disney barato”, “hotel Disney com Skyliner”, “hotel para criança” e “promoção Disney em novembro”, ela poderá apresentar todas essas informações de uma vez.
Algo como:
“Somos dois adultos e duas crianças, vamos em novembro, queremos ficar quatro noites em um hotel Disney, precisamos de transporte fácil para os parques, queremos piscina e buscamos a opção mais econômica.”
A proposta do Guided Search é justamente interpretar esse conjunto de necessidades para apresentar alternativas mais relevantes.
Para quem está planejando a primeira viagem para Disney, isso pode representar uma simplificação importante.
Muitos visitantes não sabem inicialmente quais hotéis pertencem às categorias Value, Moderate e Deluxe, quais são atendidos pelo Disney Skyliner, quais ficam próximos ao Magic Kingdom ou quais benefícios estão incluídos em determinadas hospedagens.
A inteligência artificial pode funcionar como uma primeira camada de orientação.
Hotéis, ingressos, disponibilidade e promoções em uma mesma experiência
Outro ponto importante é a integração com o próprio ecossistema Disney.
A ferramenta poderá ajudar o visitante a pesquisar produtos disponíveis dentro do Walt Disney World, incluindo hotéis, ingressos, preços e ofertas.
As imagens iniciais da experiência também mostram a localização de hospedagens em mapa, algo especialmente útil em um complexo tão grande quanto o Walt Disney World.
A escolha do hotel pode mudar bastante a dinâmica da viagem.
Quem pretende passar mais tempo no EPCOT e Disney’s Hollywood Studios pode valorizar hospedagens atendidas pelo Disney Skyliner. Já uma família que concentra boa parte da viagem no Magic Kingdom pode ter outras prioridades.
Dependendo do hotel, o visitante pode contar com ônibus, barcos, monorail ou Skyliner para se deslocar pelo complexo.
Portanto, não se trata apenas de encontrar um quarto disponível. A localização e o transporte podem determinar quanto tempo o viajante gasta em deslocamentos diariamente.
A época da viagem também entra no planejamento
A nova experiência também poderá ajudar a contextualizar a viagem de acordo com o período do ano.
Isso é particularmente importante em Orlando porque o calendário dos parques muda bastante de uma temporada para outra.
Na primavera americana, o EPCOT tradicionalmente recebe o EPCOT International Flower & Garden Festival.
No segundo semestre, o EPCOT International Food & Wine Festival costuma ocupar boa parte do calendário.
Entre agosto e outubro, eventos de Halloween passam a fazer parte da programação de vários parques de Orlando. No final do ano, as celebrações de Natal e festas especiais alteram horários, atrações e experiências.
Para brasileiros, ainda entram nessa conta fatores como férias escolares, temperatura, temporada de furacões, preço das passagens aéreas e lotação dos parques.
Uma ferramenta capaz de cruzar algumas dessas preferências pode ajudar o visitante a reduzir o volume de pesquisa inicial.
Disney entra em uma tendência que começou antes
Apesar da novidade dentro do Walt Disney World, a Disney não é a primeira empresa do turismo a utilizar inteligência artificial para planejar viagens.
A Booking.com lançou seu AI Trip Planner em 2023, inicialmente em versão beta para uma seleção de usuários nos Estados Unidos.
A ferramenta permite que o viajante converse com o sistema, peça sugestões de destinos, procure hospedagens, refine critérios e receba recomendações de acordo com necessidades específicas. Desde o lançamento, o sistema foi integrado à experiência da própria Booking.com, incluindo informações sobre propriedades e preços e permitindo avançar para a reserva.
A Booking.com posteriormente expandiu o acesso do AI Trip Planner para outros mercados, mostrando que o conceito deixou de ser apenas um teste pontual e passou a integrar sua estratégia de produto.
Expedia também acelerou o uso de IA em viagens
A Expedia Group vem seguindo o mesmo caminho.
Em maio de 2026, a empresa anunciou novos recursos de planejamento em linguagem natural e ferramentas de inteligência artificial destinadas a ajudar o consumidor a decidir, reservar e administrar viagens.
Em julho de 2026, a empresa foi além e adquiriu a Layla, plataforma criada especificamente para planejamento e reserva de viagens com inteligência artificial.
A Layla foi desenvolvida para ajudar o viajante desde a inspiração até a criação do roteiro, trabalhando com voos, hospedagem, atividades, restaurantes e transporte por meio de uma experiência conversacional.
A aquisição mostra até onde o setor pretende levar essa tecnologia.
A inteligência artificial deixa de participar apenas da fase de inspiração e começa a ocupar espaço em toda a jornada: pesquisa, comparação, personalização, reserva e suporte.
Google também está levando IA para o planejamento de férias
O Google também vem ampliando o uso de inteligência artificial para viagens.
O Gemini passou a utilizar informações de Google Maps, Flights e Hotels para criar roteiros personalizados. Dependendo das permissões concedidas pelo usuário, a ferramenta também pode usar dados de serviços conectados para organizar reservas e preferências.
Isso ajuda a entender por que o movimento da Disney merece atenção.
A disputa já não é apenas sobre quem vende a passagem, o hotel ou o ingresso.
A disputa passa a ser também sobre onde o viajante começa a pensar a viagem.
O diferencial da Disney está no controle do próprio ecossistema
Booking.com, Expedia e Google trabalham com uma grande quantidade de fornecedores, destinos e produtos.
A Disney tem uma característica diferente.
Ela controla diretamente grande parte do ecossistema que será apresentado dentro da ferramenta.
Hotéis Disney, ingressos, disponibilidade, promoções, localização das hospedagens e determinados benefícios fazem parte de um ambiente próprio.
Isso pode dar ao Guided Search uma vantagem importante em precisão e integração.
Em vez de uma inteligência artificial aberta procurando informações em diferentes sites, a ferramenta poderá trabalhar com dados diretamente ligados ao Walt Disney World.
Para um viajante que pretende concentrar boa parte das férias dentro da Disney, essa integração pode ser extremamente conveniente.
Mas a viagem para Orlando vai muito além da Disney
É justamente aqui que aparece uma das principais limitações do sistema.
Uma viagem para Orlando dificilmente se resume apenas ao Walt Disney World.
Muitas famílias combinam Disney com Universal Orlando Resort, Epic Universe, SeaWorld Orlando, Discovery Cove, compras, restaurantes, jogos de basquete, shows, atrações além dos parques e até cruzeiros saindo de Port Canaveral.
Por isso, uma ferramenta criada dentro do ecossistema Disney pode ser excelente para escolher produtos Disney, mas não necessariamente para decidir a melhor estrutura da viagem como um todo.
Esse é um ponto importante para brasileiros.
Uma promoção de hotel Disney pode parecer vantajosa isoladamente, mas talvez não seja a melhor escolha se a família pretende passar vários dias na Universal.
Um hotel com transporte Disney pode ser extremamente conveniente para determinados dias, mas talvez o aluguel de carro faça mais sentido para o restante da viagem.
Planejar Orlando exige olhar o conjunto.
A inteligência artificial muda também o papel do agente de viagens
É nesse contexto que surge uma das perguntas mais importantes para o mercado de turismo: se o consumidor consegue conversar diretamente com uma inteligência artificial, qual passa a ser o papel do agente de viagens?
A resposta não está necessariamente na substituição do profissional, mas na transformação de sua função.
A inteligência artificial é muito eficiente em tarefas operacionais.
Ela pode localizar disponibilidade, organizar opções, comparar preços, identificar hotéis e reunir informações em segundos.
O valor do agente passa a estar cada vez menos em simplesmente localizar essas informações e cada vez mais em interpretá-las.
A ferramenta pode dizer quais hotéis estão disponíveis.
O agente precisa entender qual deles faz mais sentido para aquela família.
O agente passa de vendedor para consultor
Essa diferença é fundamental.
Uma família com uma criança pequena, por exemplo, pode priorizar deslocamentos curtos, pausas durante o dia e determinadas estruturas no hotel.
Outra família, com adolescentes, pode preferir concentrar mais tempo em Universal Orlando Resort e Epic Universe.
Um casal pode querer combinar parques, gastronomia e experiências noturnas.
Uma família que vai pela primeira vez pode precisar de uma logística completamente diferente de quem visita Orlando todos os anos.
São decisões que não dependem apenas de preço.
Dependem de contexto.
Por isso, o agente que conhece o destino tende a ganhar relevância como consultor.
O profissional deixa de ser apenas alguém que “encontra uma tarifa” e passa a ser responsável por ajudar o cliente a construir uma viagem coerente.
O agente também enxerga aquilo que a plataforma não enxerga
Existe outra diferença importante.
A ferramenta da Disney naturalmente trabalha para facilitar a compra de produtos Disney.
A Booking.com trabalha dentro de seu inventário.
A Expedia trabalha dentro de sua própria estrutura.
Cada plataforma possui seus interesses comerciais e suas limitações.
O agente de viagens, quando atua de forma consultiva, consegue comparar alternativas entre diferentes fornecedores.
Pode avaliar hotel dentro ou fora da Disney.
Pode sugerir dividir a hospedagem entre Disney e Universal.
Pode analisar se vale a pena alugar carro durante todos os dias ou apenas em parte da viagem.
Pode orientar sobre Port Canaveral, Kennedy Space Center, compras, restaurantes e atrações que não pertencem a nenhum dos grandes complexos de parques.
Em outras palavras, o agente consegue olhar a viagem de maneira transversal.
O suporte humano continua sendo uma diferença importante
Existe também uma parte da viagem que só ganha importância quando alguma coisa dá errado.
Mudança de voo, conexão perdida, hotel com problema, ingresso que não aparece, serviço que precisa ser remarcado ou alteração inesperada no roteiro são situações reais.
A inteligência artificial pode orientar o viajante.
Mas o agente pode agir.
Pode entrar em contato com fornecedores, reorganizar reservas, procurar alternativas e acompanhar o problema até que exista uma solução.
Isso muda completamente o valor do serviço.
Quando tudo funciona perfeitamente, a tecnologia parece resolver quase tudo.
Quando aparece um problema, o suporte humano passa a ser muito mais relevante.
A IA pode pressionar quem trabalha apenas com informação básica
Isso não significa que todos os agentes de viagens serão igualmente beneficiados.
Profissionais que limitam seu trabalho a enviar preço, disponibilidade e um link para pagamento podem sentir mais pressão.
Essas são justamente as tarefas que sistemas automatizados executam cada vez melhor.
Já o agente que oferece conhecimento de destino, comparação, estratégia, organização e suporte tende a ter um papel mais claro.
A inteligência artificial, portanto, não elimina necessariamente o agente.
Ela torna mais evidente a diferença entre um vendedor de produtos turísticos e um verdadeiro consultor de viagens.
O próprio comportamento dos consumidores mostra essa diferença
A adoção da inteligência artificial no turismo está crescendo rapidamente, mas a confiança ainda pesa bastante na hora de concluir a compra.
Pesquisa divulgada pela Expedia Group em 2026 identificou que quase 70% dos viajantes pesquisados preferiam fazer reservas com marcas de viagem confiáveis em vez de concluir a transação diretamente por meio de chatbots ou agentes de IA.
Isso mostra que o consumidor está cada vez mais disposto a usar inteligência artificial para descobrir, pesquisar e comparar, mas ainda procura segurança quando precisa transformar uma recomendação em uma compra real.
A mesma lógica ajuda a explicar por que agentes especializados continuam relevantes.
A tecnologia pode ajudar a encontrar possibilidades.
A confiança ajuda a decidir.
A IA tende a trabalhar junto com agentes, e não apenas competir com eles
Existe ainda outro cenário provável: o próprio agente de viagens passará a usar inteligência artificial.
Isso já está acontecendo.
A tecnologia pode ajudar o profissional a pesquisar rapidamente, organizar comparações, acompanhar mudanças, criar propostas mais completas e reduzir tarefas repetitivas.
Isso permite que o agente dedique mais tempo àquilo que gera valor real: atendimento, conhecimento do cliente, estratégia e relacionamento.
Em vez de pensar IA e agente como lados opostos, o mercado caminha para uma combinação dos dois.
O viajante utiliza inteligência artificial.
O agente utiliza inteligência artificial.
E ganha vantagem quem consegue transformar informação em boa decisão.
O Guided Search substituirá o site tradicional da Disney?
Não.
O Guided Search está sendo apresentado como uma nova experiência dentro do DisneyWorld.com, e não como substituto obrigatório dos métodos tradicionais de pesquisa.
O visitante continuará podendo navegar normalmente pelo site.
A ferramenta deve funcionar como uma opção adicional para quem prefere fazer perguntas e receber recomendações de forma mais conversacional.
Além disso, o próprio nome BETA indica que o sistema ainda está em fase de testes.
Recursos podem mudar, novas funções podem ser adicionadas e limitações podem aparecer durante o processo.
E reservas de restaurantes e Lightning Lane?
Nesta fase inicial, o foco parece estar concentrado principalmente nas etapas de descoberta, comparação e escolha de produtos relacionados à viagem.
Isso significa que o Guided Search não deve ser entendido, pelo menos inicialmente, como um substituto completo para todas as ferramentas digitais utilizadas durante uma viagem para Disney.
Reservas de restaurantes, planejamento detalhado dos dias de parque, produtos relacionados ao Lightning Lane e outras etapas continuam envolvendo sistemas específicos.
Isso também ajuda a dimensionar a novidade.
Não se trata de uma inteligência artificial que fará absolutamente tudo.
Trata-se de uma nova porta de entrada para o planejamento.
O que realmente muda para quem vai à Disney
A mudança mais importante talvez seja menos tecnológica do que comportamental.
Durante anos, pesquisar uma viagem para Disney significava digitar várias perguntas separadas:
“Qual hotel Disney escolher?”
“Qual hotel Disney tem Skyliner?”
“Qual é o hotel Disney mais barato?”
“Qual ingresso comprar?”
“Quando ir para Orlando?”
“Qual promoção está disponível?”
A inteligência artificial permite reunir todas essas perguntas em uma conversa.
Isso pode reduzir o tempo de pesquisa e ajudar principalmente quem ainda não conhece bem o destino.
Ao mesmo tempo, a facilidade também exige atenção.
Uma resposta rápida não é necessariamente a melhor decisão.
O hotel sugerido pela ferramenta pode ser ótimo dentro da Disney e pouco conveniente para o restante do roteiro.
A promoção mais barata pode não representar o melhor custo-benefício.
E uma viagem bem montada continua dependendo de decisões que levam em conta muito mais do que disponibilidade.
O futuro do planejamento de viagens será cada vez mais conversacional
Booking.com, Expedia, Google e agora Disney apontam para a mesma direção.
O planejamento de viagens está se tornando cada vez menos baseado exclusivamente em filtros e cada vez mais baseado em conversas.
O viajante não quer necessariamente aprender primeiro como funciona cada plataforma.
Ele quer explicar o que precisa.
A tecnologia tenta interpretar.
Esse movimento deve se intensificar.
É provável que, nos próximos anos, escolher hotel, passagem, ingresso, restaurante e roteiro se torne cada vez mais integrado a assistentes de inteligência artificial.
A grande questão passa a ser outra: quem conseguirá transformar todas essas opções em uma viagem realmente boa?
A resposta provavelmente estará em uma combinação.
Tecnologia para pesquisar com velocidade.
Dados atualizados para comparar.
Plataformas confiáveis para comprar.
E conhecimento humano para interpretar necessidades, antecipar problemas e tomar decisões.
No caso de uma viagem para Disney e Orlando, que pode envolver dezenas de escolhas antes mesmo do embarque, essa combinação talvez seja mais importante do que nunca.