Visto de trabalho ou de turismo? Qual Visto Usar nos EUA? O Que Agentes de Viagens, Jornalistas e Criadores de Conteúdo Precisam Saber

Influencers, criadores de conteúdo e profissionais de mídia: qual visto usar para entrar nos Estados Unidos?

Nos últimos anos, os Estados Unidos se tornaram um dos principais destinos para influenciadores digitais, criadores de conteúdo, jornalistas, equipes de filmagem, profissionais de marketing, social media managers, produtores audiovisuais e empresários que desejam participar de eventos, gravar conteúdos, cobrir feiras,
promover marcas ou prestar serviços relacionados à comunicação digital.

Com o crescimento das redes sociais, muitos profissionais passaram a tratar viagens internacionais como parte natural do seu trabalho. Um influenciador pode viajar para gravar conteúdo para Instagram, YouTube ou TikTok.

Uma equipe pode ir aos Estados Unidos para cobrir um evento. Um social media pode acompanhar um cliente brasileiro em uma feira. Um fotógrafo pode ser contratado para registrar uma campanha. Uma marca pode convidar um criador para produzir conteúdo em solo americano.

O problema é que, para a imigração americana, nem toda viagem “parece turismo” apenas porque a pessoa está com uma câmera, celular ou notebook. A análise principal é: qual é a verdadeira finalidade da entrada nos Estados Unidos?
Dependendo da atividade, o visto correto pode ser de turismo, negócios, mídia, trabalho temporário ou até uma categoria específica para pessoas com reconhecimento extraordinário.

Por isso, entender a diferença entre cada tipo de visto é essencial para evitar problemas no consulado, no aeroporto, em futuras entradas nos Estados Unidos ou até em processos imigratórios futuros.

Visto de turismo: quando a viagem é realmente pessoal

O visto B-2, normalmente combinado com o B-1 no tradicional visto B1/B2, é utilizado para turismo, férias, visita a familiares, tratamento médico ou atividades pessoais temporárias. Uma pessoa que viaja para os Estados Unidos para passear, visitar parques, descansar, conhecer cidades ou visitar amigos normalmente está dentro da
finalidade de turismo.

No contexto dos influenciadores, a situação exige cuidado. Se a pessoa viaja como turista e grava conteúdos pessoais, espontâneos, sem contrato, sem obrigação comercial, sem prestação de serviço para terceiros e sem produção profissional organizada em solo americano, a viagem pode permanecer dentro de uma finalidade
turística. Por exemplo: um criador que visita Orlando com a família e publica vídeos pessoais da viagem, sem estar prestando serviço contratado nos Estados Unidos, normalmente está mais próximo do turismo.

Por outro lado, quando a viagem envolve contrato, obrigação de entrega profissional, produção de conteúdo para uma marca, gravação remunerada, prestação de serviços, campanha publicitária, cobertura comercial ou trabalho direcionado a um cliente específico, o uso do visto de turismo pode se tornar inadequado. Isso se aplica mesmo quando o contratante, cliente ou marca não está localizado nos Estados Unidos, pois o ponto central da análise migratória é a natureza da atividade realizada em território americano.

O visto B-1 é destinado a atividades temporárias de negócios, como participar de reuniões, conferências, feiras, convenções, consultas comerciais, negociações contratuais e atividades similares. Ele pode ser apropriado para empresários, executivos, representantes comerciais e profissionais que viajam aos Estados Unidos para tratar de negócios, mas sem executar trabalho produtivo para uma empresa americana ou prestar serviço local.

Por exemplo, um influenciador ou agência brasileira pode viajar para participar de uma feira de marketing, encontrar parceiros, negociar contratos, visitar fornecedores, prospectar oportunidades ou participar de reuniões com marcas. Nessas situações, o B-1 pode ser adequado, desde que a pessoa não esteja efetivamente trabalhando, produzindo conteúdo contratado ou prestando serviço dentro dos Estados Unidos.
A diferença é sutil, mas importante: reunião de negócios não é o mesmo que execução de trabalho. Participar de uma feira como visitante, palestrante ou negociador pode ser uma coisa. Ir aos Estados Unidos para produzir uma campanha comercial, gravar vídeos pagos para uma marca ou prestar serviço de mídia social pode ser outra.

Cobertura jornalística e mídia estrangeira: o visto I

Para jornalistas, equipes de imprensa, produtores de notícias, rádio, televisão, documentários informativos e outros representantes de mídia estrangeira, pode ser necessário o visto I, conhecido como visto de mídia. Essa categoria é destinada a representantes da imprensa estrangeira que viajam temporariamente aos Estados Unidos para exercer atividades profissionais de natureza jornalística, informativa ou educacional para uma organização de mídia com sede fora dos Estados Unidos.
Esse ponto é especialmente importante para pessoas que vêm cobrir eventos, entrevistas, notícias, competições, feiras ou acontecimentos de interesse público. Uma equipe brasileira de jornalismo que vai cobrir um evento nos Estados Unidos, por exemplo, pode precisar analisar a categoria I em vez de utilizar apenas o visto de turismo ou negócios.

Mas nem toda pessoa que grava vídeo ou publica nas redes sociais automaticamente se enquadra como mídia jornalística. Um influenciador que grava conteúdo publicitário ou entretenimento comercial pode não ser tratado da mesma forma que um jornalista ou correspondente de imprensa. Por isso, a natureza do conteúdo, a existência de uma organização de mídia estrangeira, o objetivo informativo da atividade e a forma de remuneração devem ser avaliados cuidadosamente.

Influencers, criadores e trabalhos pagos: quando o risco aumenta

A maior dúvida hoje envolve influenciadores digitais e criadores de conteúdo que ganham dinheiro com publicidade, plataformas, patrocínios, afiliados, campanhas, monetização ou contratos com marcas. A pergunta comum é: “Posso entrar com visto de turista e gravar conteúdo nos Estados Unidos?”

A resposta depende do caso concreto. O simples fato de postar nas redes sociais durante uma viagem não significa, por si só, que a pessoa está trabalhando ilegalmente. Entretanto, quando existe uma atividade organizada, remunerada, contratada ou direcionada a uma entrega profissional, o risco aumenta.

Exemplos que merecem análise antes da viagem:

Criador contratado por uma marca para gravar vídeos nos Estados Unidos;

Influencer que recebe cachê para divulgar hotel, restaurante, evento ou produto durante a viagem;

Social media brasileiro que acompanha um cliente para produzir conteúdo;

Fotógrafo ou videomaker contratado para campanha comercial;

Equipe que vem gravar material promocional para empresa;

Profissional que vem cobrir evento com finalidade comercial;

Criador que monetiza conteúdo produzido especificamente em solo americano como
parte de um projeto profissional.

Nesses casos, pode ser necessário avaliar categorias de trabalho temporário, como vistos O, P ou outras classificações específicas, dependendo do perfil da pessoa, do tipo de atividade, do contratante, da duração do projeto e do nível de reconhecimento profissional.

Vistos O e P: profissionais reconhecidos, artistas, mídia e entretenimento. Para criadores de conteúdo, artistas, produtores, diretores, profissionais de audiovisual, influenciadores de alta relevância, talentos de mídia, palestrantes, entertainers e pessoas com reconhecimento significativo, o visto O pode ser uma alternativa
importante. A categoria O é voltada a indivíduos com habilidade extraordinária ou realização reconhecida em áreas como artes, negócios, ciências, educação, esportes, cinema ou televisão.

No mundo digital atual, alguns influenciadores, criadores de conteúdo e profissionais de mídia podem ter elementos que ajudam em uma análise de visto O, como grande audiência, reconhecimento na imprensa, prêmios, contratos relevantes, participação em campanhas de destaque, alta remuneração, papel de liderança em projetos importantes ou impacto comprovado no setor.

Já os vistos P podem ser aplicáveis em determinadas situações envolvendo artistas, grupos de entretenimento, performances culturais ou apresentações específicas. Cada caso depende da atividade, do histórico profissional e da estrutura do evento ou projeto nos Estados Unidos.

O erro mais comum: achar que “B1/B2 serve para tudo”

Muitos brasileiros possuem visto B1/B2 e acreditam que ele permite qualquer tipo de atividade temporária nos Estados Unidos. Isso não é verdade. O visto B1/B2 é extremamente útil, mas possui limites. Ele não deve ser usado como substituto de um visto de trabalho quando a pessoa pretende prestar serviços, executar atividade
remunerada, produzir conteúdo contratado ou realizar trabalho produtivo nos Estados Unidos.

Além disso, o oficial de imigração no aeroporto pode fazer perguntas sobre o objetivo da viagem, quem está pagando, quais equipamentos estão sendo levados, qual evento será coberto, se existe contrato, se haverá gravação profissional, se há remuneração, quem é o cliente e qual será o resultado da atividade nos Estados Unidos.

Respostas inconsistentes, falta de documentação ou uso incorreto da categoria de visto podem gerar atraso, interrogatório secundário, cancelamento de visto, negativa de entrada ou problemas futuros.

Planejamento é proteção

Antes de viajar, é recomendável que influenciadores, criadores de conteúdo, equipes de mídia e profissionais de marketing façam uma análise preventiva.

Algumas perguntas ajudam a identificar o caminho correto:

A viagem é pessoal, comercial, jornalística ou profissional?
Haverá remuneração direta ou indireta?
Existe contrato com marca, agência ou cliente?
O conteúdo será produzido para fins comerciais?
A pessoa prestará serviço nos Estados Unidos? O trabalho será para empresa americana ou brasileira?
A atividade será jornalística, promocional, artística ou publicitária?
Haverá equipamentos profissionais, equipe, roteiro, locação ou produção organizada?
O conteúdo será monetizado?
A pessoa já possui reconhecimento profissional suficiente para uma categoria como O-1?

Com essas respostas, é possível avaliar melhor se o visto adequado é B-1, B-2, I, O, P ou outra categoria.

Conclusão

O universo dos influenciadores, criadores digitais e profissionais de mídia evoluiu rapidamente, mas as regras de imigração continuam exigindo coerência entre o visto utilizado e a atividade realizada. Viajar aos Estados Unidos para turismo é uma coisa. Ir para reuniões de negócios é outra. Cobrir evento como imprensa estrangeira pode exigir uma categoria específica. Produzir conteúdo remunerado, prestar serviço de mídia social ou executar campanha comercial pode demandar uma análise ainda mais cuidadosa.

A escolha correta do visto não é apenas uma formalidade. Ela protege o profissional, a marca, o contratante e o histórico migratório da pessoa.

O SKW Law – Steiner, Kleim & White Law – escritório de advocacia estabelecido nos EUA e Brasil, está à disposição para auxiliar influenciadores, criadores de conteúdo, jornalistas, produtores, profissionais de mídia, empresários e empresas brasileiras que pretendem viajar aos Estados Unidos para eventos, gravações, coberturas, campanhas, prestação de serviços ou projetos comerciais.

Nosso objetivo é ajudar cada cliente a entender as exigências aplicáveis, avaliar a categoria de visto mais adequada e cumprir corretamente as regras migratórias americanas, evitando riscos desnecessários e garantindo maior segurança para a realização de suas atividades nos Estados Unidos.


SKW Law – Steiner, Kleim & White Law
Imigração para os Estados Unidos
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